Capela das Almas

Capela das Almas ou da Misericórdia fora também conhecida por Capela do Senhor Santo Cristo da Santa Irmandade das Almas, assim descrita nas actas dos cabidos da Capela. É uma Capela que remonta aos fins do século XVII princípios do séc. XVIII.

A Capela

A construção data de 1759. No frontispício, sob a cruz de granito, ao centro da parte mais alta, está a data de 1759, inscrita em pedra de granito. Acima da data referida, encontra-se outra inscrição em romano, na base da cruz. Algumas letras da inscrição são bem visíveis, mas a leitura completa da inscrição só poderá fazer-se pelo exame de perto.
Sobre a porta principal, a janela de cruz grega, com os quatro ramos arredondados, enquadrada em granito de desenhos ondulantes. Essa janela ilumina o coro. Nos extremos da fachada erguem-se dois florões de labaredas, em granito.
A construção é de cantaria nas portas, janelas e ângulos das paredes. No interior, predomina a talha e a madeira pintada.
Infelizmente, por desmazelo e incúria, numa noite chuvosa (20.01.1985), a capela sofreu uma derrocada arrastando algumas paredes e a cobertura. Perdeu-se o tecto, onde figuravam os doze embaixadores de Cristo na Terra, doze maravilhosos óleos em madeira de castanho, pintura do século XVII …. expressões solenes, majestosas, eivadas de doçura e dignidade. Reconstruída, foi depois classificada como Monumento de interesse Concelhio por Despacho do Senhor Ministro da Cultura, de 21 de Outubro de 1985, mas o Procedimento encontra-se caducado para reponderar a classificação por ser propriedade da Igreja Católica.

Descrição do Interior

Junto da porta principal, à entrada, arranca a escadaria para o coro, parte em pedra e parte em madeira.
Debaixo da escadaria, encontra-se a Tulha, de madeira pintada com esta inscrição: TULHA / FOI FEITA / PELO JUIZ / DESTA IRMANDADE / QUE / SERVIO NO / ANNO DE / 1878. Ali se guardavam os cereais provenientes das quotas que os Irmãos pagavam anualmente pelo bem e zelo das almas. “Habitualmente eram pagas em milho (as quartas de milho de que falam os antigos) porque o dinheiro era escasso. Não nos podemos esquecer que a cultura do milho, planta importada da América, deve ter-se expandido em Portugal mais ou menos pela mesma época”.
O coro é sustentado por duas colunas de madeira pintada. O coro, de forma arqueada, todo de madeira pintada. Debaixo do coro, o tecto pintado de flores encontra-se ainda em bom estado.
O tecto da Capela, em abóbada de meio canhão, que ruiu em 20.01.1985, era de madeira pintada com flores e ramagens. Muita da sua riqueza artística perdeu-se irremediavelmente no meio dos escombros.
O arco da capela-mor apoia-se em paredes sob a forma de colunas, com paredes de pedra pintada.
O altar-mor, todo de talha, apresenta a forma de grande nicho de vidro, contendo um crucifixo e as estátuas de Nossa Senhora e de S. João Evangelista. Abaixo do calvário e na banqueta da mesa do altar, a estátua jazente do Senhor morto.
No lado direito, o altar lateral de S. Joaquim com Nossa Senhora menina nos braços.
O púlpito é de pedra pintada, apresentando florões em duas faces.
Os altares são constituídos de preciosa talha. As estátuas, relativamente bem conservadas, são apreciadas como exemplares valiosos do estilo barroco. Além dos elementos referidos, merece salientar-se o guião bandeira da Irmandade das Almas, o qual remonta às origens da instituição da Irmandade.
Na sacristia conserva-se uma arca antiga ou cofre.
A capela é sede da Irmandade das Almas, ainda existente. Nela se inscrevem os habitantes, não só de Casegas, mas, em tempos, também muitos habitantes das freguesias contíguas do Ourondo, S. Jorge da Beira (antiga Cebola) e Sobral de Casegas (recentemente Sobral de S. Miguel), todas elas outrora lugar e anexas de Casegas.
A Irmandade das Almas foi instituída por Bula do Papa Urbano VIII, em 1623. No arquivo da Paróquia conserva-se o pergaminho com o Bula, autenticado pelo selo papal.
No mesmo arquivo paroquial se encontram e conservam os livros de registo dos Irmãos, desde meados do século XVII.
“Havia uma cerimónia que se passava nesta Capela durante as Endoenças (festividades de cariz religiosa que têm lugar durante a quinta-feira santa) que ficou na memória das pessoas que ainda a ela assistiram. O Ofício das Trevas. Estava o candelabro aceso no meio da capela e durante a cerimónia, as velas iam sendo apagadas uma a uma até a capela ficar na mais completa escuridão. Nesse momento, todas as pessoas começavam a bater com pedras no soalho o que provocava um enorme ruído como de desnorte, destruição, trevas. Era um dos momentos mais impressivos de toda a cerimónia”.
No decorrer das obras da actual igreja matriz, entre 1933 e 1949, foi usada como lugar do culto para a prática das cerimónias religiosas.
Actualmente é utilizada como Capela Mortuária, lugar onde em ambiente de vigília e oração se velam os fiéis defuntos e se honra a sua memória antes do sepultamento.

Fontes diversas