Casa do Povo de Casegas

Por Alvará de 14 de Maio de 1934, foi fundada a Casa do Povo de Casegas e publicados os seus primeiros estatutos. São já 85 anos a promover o bem-estar e o desenvolvimento cultural e social da população de Casegas.

A História das Casas do Povo iniciou-se em 1933, ano em que foram criadas. Sete (7) meses depois da sua criação, foi fundada, em Casegas, uma das primeiras Casas do Povo do País.

Ao longo da sua já longa história, de 85 anos, a Casa do Povo foi o elemento central da organização corporativa do trabalho agrícola na área das freguesias de Casegas (Sede) e Sobral de São Miguel (onde teve uma delegação até Julho de 1978), gerindo o regime especial de previdência das actividades agrícolas, mas também um organismo de cooperação social, destinado a colaborar no desenvolvimento económico, social e cultural da comunidade.

As memórias mais recentes da freguesia de Casegas estão intimamente ligadas à sua Casa do Povo, à protecção social dos trabalhadores agrícolas e à satisfação dos cuidados de saúde dos seus associados. A centenas de sócios efectivos e equiparados, também beneficiários do Fundo de Previdência, foram atribuídas “pensões rurais” e foi também a Casa do Povo que, durante décadas, assegurou a assistência médica e cuidados de enfermagem aos seus associados.

Nas décadas de 50, 60 e 70, num fluxo migratório sem precedentes, a Casa do Povo soube resistir e continuar a desempenhar os fins para que foi criada.

A instauração do regime democrático saído da revolução de 1974 e a Constituição de 1976, alteraram profundamente o Regime a que estavam submetidas. A Casa do Povo alargou então a sua área de actuação e assumiu-se como o grande pólo de animação e desenvolvimento. A sua Sede Social passou a ser o local de encontro e de convivência de todas as gerações, escola de cidadania e de intervenção social.

Em 1982, oito anos depois da instauração da democracia, a Casa do Povo passou a integrar o universo das pessoas colectivas de utilidade pública, constituídas pelo tempo indeterminado (DL nº 4/82, de 11 de Janeiro), com o objectivo de promover o desenvolvimento e bem-estar das comunidades, sobretudo nos meios rurais.

Com a independência das antigas colónias, em África, mas também devido à  melhoria das condições económicas do País, foram muitos os Caseguenses, que, após a revolução de Abril de 1974 regressaram ao torrão natal e às lides do campo, arroteando as terras há muito abandonadas, onde cresciam urzes e giestas, revertendo o despovoamento da Aldeia.

Numa Terra com uma antiga e enraizada tradição de fazer teatro, foi também na Casa do Povo que nasceu, nos alvores da democracia, o grupo de teatro "os polichinelos" que levou a arte cénica e a cultura a tantos outros palcos.

Falar da Banda Filarmónica, fundada no longínquo ano de 1879, é falar de cultura, educação musical e ocupação dos tempos livres, mas é falar também da Casa do Povo pois a ela esteve ligada ao longo de uma boa parte da sua centenária existência.

Em 1948, a Casa do Povo passou a ter sessões de cinema ambulante, que o regime de então "considerava importantes para elevar o nível cultural e sobretudo moral da gente pobre”. Via-se o cinema como uma forma de contacto entre o Povo e o Estado e um meio para “trazer alegria e distracção”.

Foi também escola, pois, no domínio das letras e da cultura, Casegas cedo se afirmou. Em 11-11-1773, foi uma das poucas terras do concelho da Covilhã a receber o Ensino Primário Oficial e o Ensino Secundário com a criação de uma cadeira de Latim (facto que, no concelho da Covilhã, só aconteceu com a sede do Concelho, Teixoso e Tortosendo), através do alvará concedido pelo rei D. José I, após a reforma do Ensino em Portugal levada a cabo pelo Marquês de Pombal. Casegas teve também um dos primeiros postos de recepção oficial do Curso Unificado de Telescola (nº 105), com a reforma do Ministro Veiga Simão, mas já antes tinha um posto particular de telescola, criado em 1967 pelo saudoso Prof. Matos.

Em 1947, Casegas chegou a ter 1819 habitantes e 230 alunos a frequentar o ensino primário.

O seu edifício sede, em forma de tê (T), com a sua grande sala pensada em polivalência, é um projeto-tipo da autoria do arquitecto Jorge Segurado (1898-1990), autor do projecto da Casa da Moeda, (Jesica Maria de Oliveira Jaramillo, dissertação da tese de mestrado em arquitectura, 2011-2012).

A Casa do Povo, de hoje, fundada em 1934, teve desde a sua fundação um importante papel na promoção local - da cultura, recreio e desporto, papel que quer continuar a ter e ocupar.

“Festas da música”, “sons da fraga dura”, “olh(ares) de Outono” e “caminhadas”, são alguns dos eventos/iniciativas que desde 2006 a Casa do Povo organiza, empenhada em continuar a preservar e valorizar a identidade histórica, cultural e social da freguesia, a promover actividades lúdicas, a fomentar a prática desportiva e a preservar os costumes e saberes das suas gentes, que são a substância do seu valioso património imaterial.

Esta é a Casa do Povo de Casegas, uma “Entidade” de interesse histórico, cultural e social.

 

César Craveiro – sócio da Casa do Povo.