Centro Social e Cultural de Casegas

E foi assim que tudo começou… uma breve cronologia

Tudo começou há 35 anos (1985/1986), quando o então Presidente da Junta e cidadão, César Craveiro, contactou o Pároco, Padre Nicolau, para saber se o falado projecto para construção de um lar no terreno da paróquia, entre o jardim da igreja e a rua da quelha da vinha, teria viabilidade e se havia previsão para se iniciarem as obras.
Ficou então a conhecer o anteprojeto, que a Igreja/Paróquia mandou executar para construção do “Lar de São Pedro”, concebido pelo arquitecto José Pires Branco, um Caseguense (falecido em Janeiro de 2021) com uma vasta obra na região e que ocupou diversos cargos na administração pública entre eles a de director da Direcção Regional de Ordenamento do Território. Soube, então, que não estavam reunidas as condições financeiras para arrancar com a obra, mas que o Pároco apoiava, sem reservas, a vontade e iniciativa que então estava a germinar na Aldeia.
Só mais tarde (três anos depois), no decorrer das festas em Honra do Anjo da Guarda, decidiram os mordomos destinar uma parte do saldo das festas de 1989 para ajudar a custear as despesas iniciais com a constituição da Associação/IPSS. Era esse, afinal, o grande desejo e sonho do Rev. Padre Nicolau – que parte dos saldos das Festas do Anjo da Guarda revertessem para as obras sociais.
A primeira reunião, daquelas e daqueles que seriam os seus sócios fundadores, ocorreu em 30 de Setembro de 1989, mas foi só no dia 21 de Setembro de 1990 que se reuniram, para eleger a comissão instaladora do Centro Social e votar o projecto de estatutos. Em 8 de Janeiro de 1991 fez-se o registo no Cartório Notarial da Covilhã, da acta nº 1 da reunião de 21.09.1990, assinada pelos seus dezoito (18) fundadores.
Dos fundadores, faleceram, entretanto, o Sr. Joaquim Vicente Antunes, a Maria Elisa Antunes Campos, o Sr. José Dias Marcos, o António Pereira Simões Magalhães (primeiro Presidente da Direcção) e o Sr. Joaquim Gaspar Barata (Pimpão).
Reunidos alguns apoios e as condições necessárias, iniciamos as obras de adaptação da cantina escolar, cedida para o efeito pela Câmara Municipal da Covilhã, presidida à altura pelo Sr. Álvaro Ramos.
Com o apoio, entusiasmo e generosidade de toda a comunidade concluiu-se em Novembro de 1991 a primeira fase das obras de remodelação e ampliação da antiga cantina escolar e de imediato se iniciaram as actividades, começando pelas valências de centro de dia e apoio domiciliário.
Nas noites gélidas de Dezembro e Janeiro, calcorreamos durante anos a fio as ruas da Freguesia a cantar as janeiras, de porta em porta, para recolher apoios. Promoveram-se festas e cortejos vários destinadas(os) à recolha de fundos e géneros. VALEU A PENA...
Certamente houve dúvidas, perguntas, muitas perguntas, incertezas, frustrações e desilusões, mas também o coração cheio de alegrias e esperanças.
Foi preciso vencer o estigma e convicção daqueles que pensavam que estas casas (IPSS) eram apenas para os mais pobres, abandonados e desvalidos. Alguns nos diziam: eu não quero ir para o albergue, local que relacionavam com asilo, hospício...
Foram os seus primeiros utentes, a Sra. Conceição Antunes (Alípia), e os Srs. Alfredo Moisés e António Rodrigues (mais conhecido por Sr. António da Eira), os dois últimos já falecidos, que nos ajudaram a vencer o estigma, com o entusiamo dos dirigentes, mas também com o trabalho dedicado das primeiras trabalhadoras: a Maria de Jesus Serrão (Jú), a Conceição Serrão (São), a Beatriz Relvas, a Margarida Félix e outras.
Logo no início, contamos com o apoio (importante) duma carrinha para transporte dos idosos, no valor de 2.700 contos, bem como um apoio para obras no valor de 3.000 contos, oferta da associação de produtores florestais, associação de que foi co-fundador César Craveiro e, também o seu sócio número um (1).
Decorridos cinco (5) anos, após a abertura das valências de centro de dia e apoio domiciliário, outro desafio se colocou. Era necessário um lar residencial para apoiar também de noite os idosos mais dependentes, mas também aqueles que por um ou outro motivo não tinham, por razões diversas, apoio familiar.
Em 18 de Abril de 1996, no terreno do “logradouro”, deu-se início à construção do edifício destinado ao Lar, através dum curso de formação de pedreiros promovido pelo IEFP/ Centro de Formação Profissional de Castelo Branco, cuja primeira fase das obras ficou concluída em Março de 1997.
Pelo caminho ficou a certeza do dever cumprido e a satisfação de sabermos que os nossos idosos iriam ter um Lar (casa) para os apoiar na doença, velhice e solidão. Restou-nos sempre e apenas, a convicção que fizemos o que melhor podíamos e sabíamos.
Os dirigentes seguintes (depois de 1997), fizeram, certamente, aquilo em que acreditavam ser o melhor para a Instituição, pese embora (é uma constatação pessoal), que a opção de mais tarde ampliar e remodelar as instalações, não foi a opção natural e desejável. Era possível ter expandido o Lar, sem haver descontinuidade, para o terreno público contíguo, que se encontra atrás do Edifício da Escola Primária, que nos idos anos da década de setenta (70) esteve destinado a ser ocupado com um pequeno espaço desportivo.
Teríamos hoje dimensão e melhores condições para as respostas sociais.
Mas … cumpriu-se um sonho e a obra, com mais ou menos virtudes, nasceu.

Casegas 04.02.2021
César Craveiro
Sócio nº 1